Specters Ano Zero bateu a meta, e o próximo degrau é a capa dura

Olhe a capa de Specters Ano Zero antes de ler qualquer regra. Uma mão segura uma câmera num corredor de hotel. Na tela da câmera, uma figura pálida flutua a alguns metros de distância, envolta em névoa.
O corredor, atrás da câmera, está vazio.
É o jogo inteiro numa imagem. Em Specters, o sobrenatural não aparece para os olhos — aparece para o equipamento. E quando um grupo precisa de um aparelho para enxergar aquilo que quer matá-lo, muda o que mais importa numa mesa de terror: o que o personagem sabe, quando ele sabe, e o preço de olhar de novo.
O próprio livro abre nesse registro. O trecho de abertura do capítulo 1, publicado na campanha, é narrado por alguém segurando um termômetro que despenca dez graus, depois mais dez, enquanto o ar engrossa. A pessoa levanta a câmera, aponta para a cama, e a tela pisca. “No canto, algo está agachado. Contorcido. Esperando.”
Você pode jogar como um canal de caça-fantasma
A premissa básica é reconhecível: investigadores, médiuns e caçadores de fantasmas entram em casas amaldiçoadas, asilos esquecidos e hotéis abandonados — os lugares onde, nas palavras da campanha, o véu entre os mundos é perigosamente tênue.
O que a campanha faz de diferente é abrir a motivação do grupo. Vocês podem ser um negócio profissional. Podem ser estudiosos. Podem ser benfeitores. E podem ser, literalmente, um canal no YouTube atrás de visualizações.
Essa última é a que vale a matéria. É found footage virando ficha de personagem: o mesmo grupo que precisa da câmera para enxergar a ameaça também precisa da câmera para pagar as contas. O conflito já nasce dentro do equipamento, e não é preciso nenhuma regra nova para que a mesa sinta isso — basta que alguém pergunte se vale a pena continuar gravando.

O motor é o mesmo de Mutant, Alien e Vaesen
Specters roda com o Year Zero Engine, sistema da sueca Free League que já é velho conhecido de quem joga em português mesmo sem saber o nome dele.
A própria campanha faz o mapa: Mutant: Ano Zero e Forbidden Lands saíram pela Pensamento Coletivo, Alien pela New Order, Tales From the Loop pela Galápagos e Vaesen pela RetroPunk. Cinco editoras diferentes, o mesmo motor de rolagem — atributo somado à perícia, em dados que vão ganhando peso conforme a situação piora.
A lista da campanha não é exaustiva: a Free League tem outros títulos publicados aqui, e a Tria trabalha com Coriolis: A Grande Escuridão e The Walking Dead Universe, entre outros. O que importa para quem lê é a consequência prática: se você já jogou qualquer um desses, a curva de aprendizado de Specters é curta.
E o que o sistema faz de bom aqui é específico. O Year Zero Engine foi desenhado para tensão crescente e escolha difícil, não para combate tático — e terror de caça a fantasmas é exatamente o gênero em que o combate raramente é a saída.

Os números, e o segundo degrau
A campanha subiu em 08/09/2026 no Meeple Starter e fica aberta até 08/11/2026.
| Arrecadado | R$ 2.410,00 |
| Meta | R$ 2.000,00 |
| Percentual | 121% — meta batida |
| Apoiadores | 26 (28 apoios) |
| Seguindo o projeto | 40 |
| Encerramento | 08/11/2026 |
Números lidos na página da campanha — https://meeplestarter.com.br/rpg-specters — em 21/09/2026, às 22h30 de Brasília.
Meta batida costuma ser o fim da conversa. Aqui é o começo dela, e o motivo está publicado — dentro de uma imagem. O infográfico de metas da campanha mostra dois degraus, não um.
O primeiro, de R$ 2.000, já ficou para trás: o livro existe. O segundo, de R$ 3.000, troca a encadernação e entrega Specters em capa dura para todo mundo que estiver dentro. Faltam R$ 590.
E o infográfico termina com um aviso que é quase um convite: “novas recompensas em breve”. Nem a Odyssey mostrou ainda tudo o que essa campanha pode virar, e há até 8 de novembro para descobrir. O arauto já fez a contribuição dele, aliás.
O que dá para levar
| Recompensa | Preço | Entrega prevista |
|---|---|---|
| Specters Ano Zero — PDF | R$ 30,00 | 12/11/2026 |
| Specters Ano Zero — físico + PDF, frete incluso | R$ 135,00 | 26/02/2027 |
| Pacote Kilombo Ano Zero (PDF + capa dura A4, mapa e fichas) | R$ 200,00 | 25/12/2026 |
| Pacote Metal Gods of the Apocalypse (PDF + capa dura A5, mapas) | R$ 105,00 | 25/12/2026 |
| Pacote Mythwoven (PDF + capa dura A5, três cartões) | R$ 75,00 | 25/12/2026 |
Os três últimos não são partes de Specters: são financiamentos anteriores da Odyssey reabertos como recompensa adicional, e podem ser apoiados sem o apoio principal.
O livro de Specters terá cerca de 150 páginas, todas coloridas, em formato 16 × 23 cm e papel couché 115 g.


Quem assina

O jogo é obra de Morné Schaap, que escreveu e ilustrou o original pela Just Insert Imagination.
A edição brasileira tem cinco nomes, todos creditados na campanha: Marcus Mauro na tradução, Leandro Jardim e Alvaro Ramos na revisão, Raul Galli e André Lucas Paes na diagramação, com coordenação de Leandro Jardim.
A Odyssey Publicações foi fundada em 2023 e se descreve como uma casa de voluntários vindos da comunidade Savage Worlds. Para quem financia livro pela internet, a pergunta que fica de pé diante de uma casa desse porte é sempre a mesma: ela entrega?
No caso da Odyssey, dá para conferir. O site da editora mantém um post com o código de rastreio dos mapas e livros restantes do Kilombo Ano Zero — um financiamento anterior da casa, já despachado aos apoiadores. Não é promessa de prazo: é etiqueta de correio.

E tem um jogo escondido na lista de recompensas
Ele se chama Kilombo Ano Zero, está ali por R$ 200, e a campanha não conta o que é — o que é justo, porque a campanha é sobre Specters.
Mas o nome não deixa passar batido. Pelo que ele anuncia, é RPG nacional rodando o mesmo motor de Mutant e de Alien, com capa dura A4, mapa e fichas — e um financiamento que a Odyssey já entregou antes, porque o código de rastreio dele está publicado no site da editora.
Um jogo brasileiro construído em cima do Year Zero Engine é assunto grande demais para caber numa linha de recompensa de outra campanha. Odyssey, me contem essa história — ela rende matéria própria aqui, com o espaço que ela merece. E quem estiver lendo e já jogou Kilombo: eu quero saber.
Vale a pena? Vale.
Trinta reais. Um RPG de terror completo, em português, cento e cinquenta páginas coloridas, rodando um motor que meio mercado já sabe usar. Isso não é preço de livro — é preço de rodada na taverna. Se a ideia de uma mesa em que a única testemunha confiável é uma câmera te pegou, o PDF está praticamente dado.
O físico é outra conversa, e é a conversa boa. Cento e trinta e cinco reais com frete incluso para o Brasil inteiro, 16 × 23 centímetros, colorido de capa a capa — o tipo de livro que senta na estante entre os seus outros de terror e é o único que ninguém na sua mesa já abriu. Chega em fevereiro de 2027, e se a campanha cruzar os R$ 3.000 chega de capa dura.
Essa é a única aposta do pacote. E ela está a R$ 590 de distância.
A campanha está no ar até 08/11/2026 — https://meeplestarter.com.br/rpg-specters — e Specters Ano Zero já está no Calendário do Reino, com a data de encerramento marcada.
As artes desta matéria foram cedidas pela Odyssey Publicações. O Mestre Saveta não recebeu nada por escrevê-la e não há link de afiliado aqui — financiamento coletivo não rende comissão. O arauto apoiou a campanha com o próprio bolso, como qualquer trupeiro.
E na sua mesa, a câmera ajudaria ou atrapalharia? Tem gente que acha que ver o fantasma pela tela tira o medo, e tem gente que acha que é justamente o contrário. Conta aí embaixo.
Puxe a cadeira